Ao pé da letra da tradução: um ensaio sobre a letra traduzida e o deciframento de cada sujeito[1]
Aristela Barcellos de Andrades[2]
Aos tradutores da alma humana…
Introdução
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento (Clarice Lispector – Sobre a escrita ̶ sem data).
A relevância do trabalho de tradução de textos psicanalíticos da língua francesa para a língua portuguesa o qual venho realizando, como também, a importância da escuta de sujeitos frente ao tratamento psicanalítico, implicou-me o desejo de aprofundar a investigação sobre a tradução em psicanálise e consequentemente, entender a possibilidade de semelhança entre o lugar do tradutor e o lugar do psicanalista.
Em A interpretação de sonhos (1900) Freud nos traz que a tradução seria da ordem do impossível, aquilo que é do outro seria intraduzível em outra língua. Mais recentemente, em seu texto intitulado Walter Benjamim – Tradução e Melancolia (2007), a tradutora e intérprete das línguas inglesa e alemã Susana Lages diz que a tradução se encontra na ordem do insuficiente devido a radical diferença entre as línguas. Por meio dessas leituras, entre outros autores psicanalíticos, podemos perceber a dificuldade existente no laborioso trabalho de tradução, por conseguinte, na impossibilidade de fazer com que o texto traduzido consiga corresponder plenamente ao sentido do texto de origem. No entanto, o que fazemos com isso? O que fazemos com esse impossível, com esse real da intraduzibilidade?
Nesse sentido percebemos que Freud faz uma aposta e leva ao pé da letra a palavra e a verdade de cada sujeito, respeita seu texto e a obra de vida que cada um constrói e enuncia. Ele aborda em sua escuta aquilo que é da ordem do inscrito, do escrito, do reinscrito, do reescrito, da direção e reordenamento das palavras, na mudança e retranscrição das coisas e dos sentidos, é disso que se trata a tradução em psicanálise. Na Carta 52 de dezembro 1896, trabalhando sobre a hipótese de que o mecanismo psíquico formar-se-ia através de um processo de estratificação, Freud coloca-nos que os traços de memória sofreriam de retranscrições, ou seja, que, de tempos em tempos, a memória se rearranjaria, possibilitando mudanças, desdobramentos e diferentes interpretações. Sendo assim, no decorrer da vida do sujeito, e “Na fronteira entre essas épocas deve ocorrer uma tradução do material psíquico” (FREUD, 1896, p. 283). Todavia, quando essa tradução e consequentemente, a transcrição subsequente das épocas de nossas vidas não se faz, entramos em contato com aquilo que nos causa desprazer, sofrimento, portanto, “Uma falha na tradução ‒ isto é o que se conhece clinicamente como recalcamento” (p. 283).
Juntamente a essas colocações, questionamentos frente a essa temática surgem para que possamos desenvolver possibilidades de entendimentos ou respostas, os quais direcionem essa investigação. De que se trata então traduzir a fala, a letra, a palavra num enunciado do sujeito? De que forma suas pontuações, paradas, exclamações são de fato traduzidos, tanto em textos escritos, como em textos enunciados em um tratamento psicanalítico? O que se traduz de uma língua? Diante de uma palavra em língua estrangeira, qual palavra traduzida em nossa língua corresponde mais próximo ao sentido antes enunciado? Ou se segue ao pé da letra a tradução do estrangeiro?
Da mesma forma, também podemos pensar essa questão frente a transcrições de textos psicanalíticos, como no exemplo, no momento em que alguma palavra não é escutada, em que na gravação de um texto algum barulho tampona aquilo que está sendo dito, e aquele que transcreve, mas que primeiro escuta, ensurdece. Mesmo ainda e não menos importante, está o papel do psicanalista, ou seja, aquele que escuta o sujeito que ali fala, daquele que ali enuncia seus desejos e seus temores através da fala, dos sonhos, àquele que também ensurdece de alguma forma ao escutar algo, uma palavra que ali lhe barra, que ali lhe faz furo, que ali lhe faz buraco.
De tal modo, a partir deste ensaio, tem-se o intuito de investigar como a tradução incide no viés psicanalítico frente ao conceito de interpretação em psicanálise. Sobretudo, de que forma podemos fazer um comparativo, ou melhor dizendo, uma aproximação do lugar do tradutor ao lugar do psicanalista. O que há de semelhante entre o lugar do tradutor ̶ EScrita e o lugar do psicanalista ̶ EScuta? Sendo assim, com a produção desse ensaio há uma possibilidade de maior abertura à pesquisa, à discussão do pensar e do fazer psicanalítico, como também, do pensar e do fazer tradutor.
Seguindo esses questionamentos, tenta-se através da investigação sobre a palavra e a sua tradução frente ao viés psicanalítico, encontrar a possibilidade de chegar o mais próximo possível ao sentido das palavras daquele que escreve/traduz e daquele que escuta/traduz. Devido a isso, a discussão desse texto realizou-se através da leitura de textos de conceitos psicanalíticos e de pesquisas sobre o tema da tradução em psicanálise com uma breve discussão na área das Letras. Além disso, houve também a realização da análise da tradução de dois recortes de textos psicanalíticos da língua francesa para a língua portuguesa, o qual auxiliou para uma maior compreensão e exposição do tema exposto.
Tradução em Psicanálise
Arrancou uma página do livro e rasgou ao meio. Depois, um capítulo. Em pouco tempo, não restava nada senão tiras de palavras, derramadas feito lixo entre suas pernas e em toda a sua volta. As palavras. Por que tinham de existir? Sem elas, não haveria nada disso. Sem as palavras, o Führer não era nada. Não haveria prisioneiros claudicantes, nem necessidade de consolo ou de truques mundanos para fazer com que nos sentíssemos melhor. De que adiantavam as palavras? Dessa vez ela o disse em voz alta, para a sala iluminada de laranja. – De que servem as palavras? (Markus Suzak – A menina que roubava livros, p. 452 – 453).
Como não apreciar essa forma de linguagem tão valiosa e misteriosa que são a letra e a palavra? O que elas significam? O que elas querem dizer? O que elas traduzem? O que será isso que traduz, corta, contorna, borda, costura, entrecruza, laça, enlaça, entrelaça o corpo do sujeito que a enuncia? Quantas perguntas emaranhadas, envoltas de pouquíssimas respostas, ou melhor, tentativas de respostas frente à angústia e à instigação quando diante delas.
Freud nos coloca em A Interpretação de Sonhos (1900), que o psicanalista deve escutar o sonho do sujeito que ali fala como uma mensagem cifrada e invertida, a qual necessita decifrar através da palavra. Podemos ver na clínica, no fazer do psicanalista que o sonho passa a ser um dos caminhos principais de acesso ao inconsciente, dessa maneira, possibilitando a priorização à tradução da imagem visual pela palavra. “Contar um sonho é contar um fragmento de sua própria história. É um esconder mostrando-se e um mostrar escondendo-se” (Editorial da Triebuna, 2000).
Nesse contar Freud nos mostra, de forma minuciosa, em A injeção de Irma (1895), o caminho percorrido do deciframento e tradução do sonho, através do detalhamento singular, análise e relato, deste que foi o primeiro e mais delineado sonho analisado em sua obra. De tal modo, o sonho passa a ser uma nova ferramenta na prática da psicanálise. Nesse sentido, Lacan defende a ideia de Freud de que é necessário entender o sonho ao pé da letra, através da análise da articulação e do deslizamento do significante no discurso do sujeito.
A fala, conforme Lacan (1953), é um dom da linguagem, é um corpo que contorna, que faz borda sobre a verdade do sujeito. A fala em análise, tanto quanto nos sonhos se trata de uma confissão velada. A partir do processo de análise há a possibilidade de este véu de símbolos inconscientes, cair. E o que fica a partir desta queda, são letras, palavras, o resto do que se permitiu e conseguiu entrar em contato pelo sujeito, provenientes do discurso que ali se funda e se realiza. Lacan (1954) ainda traz que, em uma análise de linguagem onde procuramos a significação de uma palavra, teríamos de fazer a soma de seus empregos, não somente de sua representação, mas também, onde essa palavra pode e deve ser empregada. Sendo assim, podemos propor frente à tradução uma aproximação maior no sentido que autor ou analisante está expressando em sua escrita e em sua fala.
Bley (2002) cita Freud expondo que a sua mais preciosa obra A Interpretação dos Sonhos se coloca como sendo o “ser do sonhador-autor, em seu movimento de auto-análise” (p. 103), sendo esse, concernente à construção de uma teoria, pois o autor entra num processo de criação e conjuntamente de tradução, permitindo o entrecruzamento e enlace das palavras do texto já presente em sua mente. Entretanto, na laboração dos sonhos “as produções da elaboração do sonho não possuem intenção de serem compreendidas, pois o rébus dispõe de um número ilimitado e não pré-formado de figuras” (p. 107), podendo assim, tornar dificultoso o trabalho dos tradutores, pois os sonhos não apresentam uma regra a ser seguida frente à tradução.
De acordo com essa mesma autora, o “sonho textual, que traduzido, não é o sonho sonhado” (p. 107), mas trata-se daquilo que o analisante pelo meio de suas associações livres consegue testemunhar através de palavras o texto do seu inconsciente. Portanto, Bley (2002) cita uma das coisas que Lacan retoma de Freud e desenvolve, que “o sonho não é outra coisa senão seu texto, ou seja, deve ser entendido ao pé da letra” (p. 107). Ao pé da letra pelo sujeito, pois o fato de o inconsciente ser pulsante – ele demonstra isso por meio dos chistes, dos lapsos e do próprio sonho – leva-nos a ver, a particularidade e singularidade do sentido para cada sujeito, isto é, a sua própria interpretação, a sua própria tradução. Seguindo essa mesma leitura e exposição que Bley (2002) faz em seu texto, ela diz “É no verter do texto, em meio a uma teia de significações produzidas, concomitante à desmontagem do próprio sonho, que o intraduzível permeia os rastros dos significantes” (p.108).
Seguindo neste mesmo percurso, podemos refletir sobre a interpretação em psicanálise e entender que essa faz parte do âmago da teoria e da prática psicanalítica, Freud nos coloca em seu texto O manejo da interpretação de sonhos na psicanálise (1911) que o psicanalista deva servir de suporte para que o analisante consiga interpretar os seus próprios sonhos como uma arte da interpretação, ou seja, que para o psicanalista sirva como um manejo na forma de condução e direcionamento do tratamento do sujeito em questão. É disso que se trata a cura em psicanálise, que o próprio falante consiga interpretar suas questões. Segundo Roudinesco e Plon (1998) “a interpretação não deve decorrer de um delírio, nem de uma selvageria nem de uma mania. Não é um jogo gratuito nem fruto de um gozo* ou de um princípio de prazer*” (p. 388). Portanto, não se trata de sugestionar ao bel gozo daquele que está ali na posição de escuta aquilo que o outro fala, isto é, não se trata de uma relação dual de semelhantes, de eu para eu.
Segundo o dicionário francês Le Petit Robert (2013) tradução – traduction significa ação manière (preciosa, amaneirada) de traduzir. Da mesma forma, traduction também significa interpretação ‒ interprétaction (ação de explicar, de dar uma significação clara – a uma coisa obscura). Todavia, interpretação em psicanálise está para “além do sentido latente da fala” (BLEY, 2000), isto é, opera em uma nova relação da teoria dos sonhos escrita por Freud e de sua significação, consequentemente, de como isso opera no psiquismo do sujeito.
Com o intuito de fazer uma breve análise e tradução sobre dois recortes de textos psicanalíticos da língua francesa para a língua portuguesa, iremos direcionar o que esse texto tenta mostrar sobre a tradução em psicanálise. Este primeiro recorte trata-se de um texto da revista francesa de psicanálise SURGENCE.
Eis o texto e, a seguir, a análise:
“Tu vas nous manquer très fort et à nous tous et on va penser à toi.” A écrit une autre enfant sur la lettre collective qu’elle avait rédigée elle-même mais se débrouillant pour y faire signer tous les enfants de l’institution. “Tu vas nos manquer pour jamais et pour toujours.
Ma gorge se serre soudain. Qui y a-t-il dans cet effet troublant dû à emploi de deux termes opposés “jamais” et “toujours”, à la fois négation et affirmation d’un temps ramené à l’instant présent? Si ce “Tu vas me manquer” introduit à l’idée de ce qui fait défaut, y aurait- il là ratage?”
Tradução supervisionada frente ao francês:
“Tu vais nos fazer muita falta e todos nós vamos pensar em ti”. Escreveu uma outra criança sobre a carta coletiva que ela tinha redigido, ela mesma, mas se esforçou para fazer assinar todas as crianças da instituição. “Tu vais nos faltar para nunca e para sempre.”
Minha garganta fecha de repente. Quem tem nesse efeito turbulento do emprego de dois termos opostos “nunca” e “sempre”, às vezes negação e afirmação dos tempos lembrados no instante presente? Se esse “Tu vais me faltar” introduz a ideia do que faz defeito, teria aí fracasso?”
Enquanto era corrigida a tradução do francês para o português do texto de Véronique Arnaud-Boutry intitulado Départ ou penser la séparacion – Separar ou pensar a separação, que faz parte da revista psicanalítica francesa SURGENCE – Mére, Pére et Manque – Mãe, Pai e Falta, estava presente a palavra manquer, ao qual minha professora de francês apontou dizendo que poderia haver outra tradução. Ou seja, na frase “Tu vas me manquer”, a qual traduzi como “Tu vais me faltar”, poderia ser colocado como “Sentirei saudades tuas”, naquele momento questionei o porquê disto, e ela respondeu dizendo que ficaria melhor ao leitor, que ficaria mais bem colocado àquele que lê, do que a tradução literal que havia feito. Entretanto, permaneceu a tradução a qual fiz, pelo fato de manque(r) ‒ falta(r) em psicanálise ser um conceito, faz parte da teoria psicanalítica, tem um outro propósito, podendo ser um significante para o sujeito, assim sendo, diferente do significado existente em dicionários da língua portuguesa. Dessa forma, não se deve colocar uma tradução ou interpretação baseado naquilo que ficaria melhor aos olhos dos outros, como Lages (2007) propõe em seus textos, colocar algo do tradutor sem dar importância e valor ao que o autor expõe, podendo assim, perder o sentido ao que ele enquanto autor se propôs a fazer. Essa mesma autora ainda coloca que o tradutor tanto quanto o escritor deve criar a partir da obra do autor algo seu, do seu particular, chamando a ideia contrária a isso de “processo maníaco do traduzir” (p. 65).
Um outro exemplo ao qual acontece uma situação semelhante está num texto de Lacan que se chama L’Éveil Du printemps – O despertar da primavera, presente na Revue du Champ freudien ORNICAR 39, e que já está traduzida nos Outros Escritos (2003).
“J’ai indique le lien de tout cela au mystère du langage et au fait que ce soit à proposer l’énigme que se trouve le sens du sens.
Le sens de sens est qu’il se lie à la jouissance du garçon comme interdite. Ce non pás certes pour interdire le rapport dit sexuel, mais pour le figer dans le non-rapport qu’il vaut dans le réel.”
Tradução presente nos Outros Escritos:
“Apontei a ligação de tudo isso com o mistério da linguagem e com o fato de que é ao propor o enigma que se encontra o sentido do sentido.
O sentido do sentido está em que ele se liga ao gozo do menino como proibido. Isto, certamente, não para lhe proibir a relação dita sexual, mas para cristalizá-la na não-relação que ela vale no real.”
Tradução que fiz e a qual foi supervisionada tanto frente ao francês, como também, por uma psicanalista com vasto conhecimento na psicanálise e no francês:
“Já indiquei a ligação de tudo isso com o mistério da linguagem e ao fato que isso seja para propor o enigma que se encontra no sentido do sentido.
O sentido do sentido é que ele está ligado ao gozo do menino como interdito. Certamente não para interditar o rapport[3] dito sexual, mas para paralisá-la no não-rapport que ele sustente no real”.
Pode-se perceber a diferença existente em ambas as traduções, no texto que está publicado nos Outros Escritos, a palavra rapport foi traduzida como relação, já no texto ao qual traduzi e supervisionei, foi colocado que não se deveria traduzir a palavra rapport por relação, mas sim deixar a palavra no original, por não haver na língua portuguesa uma palavra que chegasse próxima ou equivalesse ao sentido que o autor quis transmitir, como está explicado na nota de rodapé que deixei neste texto da mesma forma que está no texto traduzido. Do mesmo modo, está a tradução da palavra interdit, no texto dos Outros Escritos, como proibir, sendo que interdito também é um conceito, é uma interpretação em psicanálise, não haveria então o porquê dessa mudança de tradução.
Dando seguimento à discussão, posteriormente em sua obra, Freud diz que “A resistência à interpretação é apenas a efetivação da censura do sonho” (1915, p. 144). Essa censura pode ocorrer devido ao julgamento do sujeito que sonha, concernente com aquilo que o mesmo elaborou em relação as suas questões, incidindo dessa forma a uma deformação do sonho, havendo, portanto, a necessidade da interpretação. Segundo Freud nesse mesmo texto, a interpretação é realizada e baseada em premissas já aceitas pelo próprio sujeito, mas se fosse somente dessa maneira, seria algo de certa forma estranho, pois então, não haveria a necessidade da interpretação do sujeito que sonha, seria muito simples e, como mesmo Freud expõe, “ad absurdump” (p. 147) – ou seja, o absurdo. Assim sendo, banalizar o que sentimos, ou traduzi-los dizendo que se trata de uma simples empatia ao outro, ou expor tais sentimentos de maneira ingênua e fugaz se trataria possivelmente de algo do imaginário e ilusório e não da ordem do real. Os sentimentos devem ser descritos de acordo com os sentidos que vamos dando a eles, e a cada nova transcrição e nova tradução, temos a possibilidade de dar um novo sentido, portanto, uma retradução. A psicanálise se coloca no lugar de que novos sentidos e novas leituras podem e devem ser feitas sobre a interpretação dos sonhos, mostrando assim, a possibilidade sempre existente de construção e reconstrução da teoria, ou seja, a possibilidade de uma nova tradução.
Após 15 anos aproximadamente de aprofundamento e muito trabalho frente aos seus estudos e escritos recorrentes de sua prática clínica, Freud (1932) retoma a magnitude da teoria dos sonhos e nos expõe seu caráter decisivo no progresso da teoria psicanalítica. Freud expõe que é através da experiência analítica que podemos constatar resultados em relação à interpretação de sonhos, pois “mesmo um sonho deve ser um ato psíquico inteiramente válido, com sentido e valor, que podemos utilizar na análise como qualquer outra comunicação” (p. 19). Dessa maneira, pode então haver uma forma de comunicação, a possibilidade de tradução daquilo que poderia continuar inacessível a ambos, tanto ao psicanalista quanto ao analisante.
Bley (2000) ainda nos diz que “O empobrecimento da tradução do texto freudiano a ponto de uma tradução de símbolos “taco-a-taco”, apenas visando melhor termo, pode dar-se, caso também não atentemos para os princípios que regem esta escritura” (p. 16). Sendo assim, mais uma vez se percebe a importância de tal preciosidade, citada acima, frente ao respeito à obra a ser traduzida, respeito frente àquilo que o autor quer dizer, respeito aos conceitos psicanalíticos neste caso. Sem sombra de dúvidas, há limites quando não se encontra, por exemplo, uma palavra ou expressão que consiga chegar o mais próximo possível daquilo que se quer traduzir, todavia, o que fazemos com isso? Segundo essa mesma autora, o impossível não deve se tornar algo estanque, paralisado, impotente, mas sim, que possa se tornar uma abertura para uma construção, para uma interpretação.
Como lidar com o inapreensível e com o impossível da tradução da linguagem? Bley (2002) nos coloca em seu texto Sonho e tradução: algumas considerações, que lidar com esse impossível sugeriria um novo trabalho de criação, pois “a tradução se dá num escoamento de algo inapreensível” (p. 108), pelo meio de associações daquele que se coloca no lugar de falante, ou seja, o analisante, e, por conseguinte na interpretação. Possibilitando dessa maneira, as mudanças e transformações de sentidos, no ir e vir das letras e dos significantes no singular de cada sujeito cindido.
Mas se permanecermos na tendência de uma única interpretação, dando somente um sentido ao significado daquele que fala, o que acontece? Entramos naquilo que Lages (2007) trata em seu texto, um inexpressível testemunho do significante, da letra que marca cada sujeito, da particularidade que Freud nos mostra em sua obra, um assujeitamento do falante. Para Lacan, segundo Bley (2002) “o sonho não é outra coisa senão seu texto, ou seja, deve ser entendido ao pé da letra”, assim como, a escrita e a fala do sujeito, são sempre textos a serem decifrados.
Lugar do Tradutor ̶ EScrita x Lugar do Psicanalista ̶ EScuta
Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo ̶ é por esconderem outras palavras (Clarice Lispector – Sobre a escrita sem data).
A tradução é uma temática pouco explorada, no sentido de poucas publicações no campo psicanalítico, diferentemente no campo das letras a qual há uma vasta literatura que abrange esta temática. Iremos neste ensaio nos determos em leituras psicanalíticas e no texto de Lages já citada anteriormente.
Essa autora nos traz em seus estudos, a semelhança existente entre a tradução e a melancolia. Ela defende a ideia de que um texto traduzido teria de ser mais irreverente, alegre e não melancólico, ou seja, que o texto não deveria ser traduzido ao pé da letra pelo tradutor. No entanto, seguindo essa forma de pensamento, o que teríamos como trabalho final? Seguindo ainda essa tese, a mesma autora coloca que o tradutor sofreria então de uma autodesvalorização frente ao texto a ser trabalhado, está aí o que ela chama de melancolia, pois o tradutor esse “mestre das passagens e dos intervalos (p. 14)” não estaria colocando algo que é seu no texto, mas sim, fazendo reverência ao autor traduzido. Todavia, colocar no texto de um outro sujeito a sua própria irreverência, a sua própria alegria, no final seria considerado algo bastante audacioso, portanto, um ótimo texto. Mas continuaria sendo o texto do autor traduzido ou seria um novo texto do tradutor?
Isso que Lages considera como uma submissão ou ainda, uma autodesvalorização frente à produção e a voz do outro, em psicanálise podemos pensar sobre aquilo que Lacan nos traz no texto A direção do tratamento como um lugar de morto, lugar este de depositário dos fantasmas desse outro, ou seja, ali onde o outro fala, onde o outro escreve, estamos tradutor e psicanalista num lugar de despojamento narcísico. Servimos num lugar como se fosse um lugar de morto, pois ali quem fala é o outro sujeito, nossas questões, nossas angústias, nossos temores, enquanto aquele que escuta devem ali silenciar, para que o que vem desse outro sujeito surja, advenha, torne-se. Em razão de tudo isso, necessita-se de um lugar para que isso ocorra, seja este no divã e na poltrona de uma sessão analítica ou no papel e no lápis do tradutor. Portanto, não se trata de submissão ou autodesvalorização, mas sim de um lugar a ser ocupado enquanto “função de”, função de psicanalista ou de tradutor. Mas de que se trata essa “função de”?
Que lugar o tradutor e o analista ocupam frente à obra construída, tanto pelo autor quanto pelo analisante, a ser traduzida? Considerando o que Lacan nos traz como um lugar onde o sujeito analisante possa depositar seus fantasmas pode-se olhar para esse lugar como um lugar de morto, de um despojamento narcísico, onde o eu do analista não aparece, tal como, o eu do tradutor, pois ali também é um lugar de depósito dos fantasmas do autor/escritor. Lacan (1967-1968) em seu seminário sobre O Ato Psicanalítico nos traz mais uma vez a questão do lugar do analista frente ao sujeito falante, dizendo que esse lugar ocupado por aquele que escuta é um lugar de resto, o analista é este que suporta ocupar esse lugar de resto, de lixo, de morto.
Como poderíamos chegar ao mais próximo possível deste lugar de morto se tornássemos a EScuta e a EScrita, tanto do psicanalista como do tradutor, como funções irreverentes de alegria e audácia? Se ali onde o sujeito em um tratamento psicanalítico expressa em seu texto falado as suas angústias, suas alegrias, e os seus fantasmas, como também, ali onde o autor expressa em seu texto escrito as suas angústias, suas alegrias, e os seus fantasmas, fizéssemos desses textos, tanto falado quanto escrito, traduções irreverentes como cita Lages (2007)? O que teriam como elaboração sobre as questões desses sujeitos?
Lacan em A instância da letra no inconsciente trata da letra como um “suporte material que o discurso concreto toma emprestado da linguagem (p. 498)”, se é na entrada à linguagem que o sujeito nasce, como fazer dessa entrada algo de irreverente, chistoso? Pois no momento em que o eu do analista ou do tradutor entra em cena tanto na sessão analítica como na tradução, seria o momento de tornar isso que Freud e Lacan trazem como conceitos psicanalíticos tais como: o advir do sujeito, funções materna e paterna, do lugar do falo; algo de irreverente alegre, chistoso, todavia banal, pois não precisaria de conceitos tão rigorosos para se cair na banalidade, se fosse essa a intenção primeira.
No momento em que isso acontece, estamos desvalorizando o lugar do psicanalista. Da mesma forma, considero também o lugar do tradutor. Há um direcionamento no tratamento, na escuta, portanto, no traduzir, há um porquê da escuta do significante, há um motivo do porquê seguir essas regras, não há uma banalização ou uma melancolia, mas sim um respeito frente ao texto do outro, seja esse escrito ou falado, como também, respeito frente àquilo que é conceito em psicanálise.
Chamamos em psicanálise a esse não silêncio das próprias questões do psicanalista, de resistência do analista. Lages (2007) já chamaria esse silêncio no tradutor de melancolia. Sem sombra de dúvidas há a resistência do analista, há essa dificuldade em se silenciar no momento da escuta, mas também há o momento de isso ser trabalhado, tanto na própria análise como numa análise de controle, para que naquele momento, no momento da escuta, o analista esteja no lugar de morto, estando ali à mercê do inconsciente e dos significantes daquele discurso. Uma tradução também deve ser analisada e supervisionada, para que aquilo que o tradutor conseguiu fazer consiga estar o mais limpo possível de seus próprios significantes, para que a ideia e as palavras do autor advenham.
Na tradução de tradução de tradução, tradução essa que já se traduziu da tradução em palavras do autor/analisante/escritor, lidamos com várias mortes, de acordo com Bley (2002), pois se trabalha com algo que foi do singular daquele sujeito e de cada língua para o tradutor. Lacan, citado por Bley, aponta a relevância da valoração da tradução ao pé da letra, pois “O mais ao pé do significante talvez possa contribuir para não colocarmos a significação imposta pela explicação, no lugar do mesmo” (BLEY, 2002, p. 113).
Sendo assim, “No caso do analista para que funcione como analista não poderia funcionar como pessoa, teria de esvaziar o personagem analista para que funcione como letra, para que assim possa operar uma análise” (FÜRST, 2000), para que então, se permita que a cadeia significante do discurso do sujeito que ali enuncia deslize e um novo sentido advenha.
Podemos perceber que o pronome neutro da terceira pessoa do singular ES em alemão traduz-se por ISSO em português. Seu conceito em psicanálise é referente a uma das três instâncias psíquicas da segunda tópica freudiana, a qual já está baseada e motivada por uma maior experiência clínica de Freud. Dessa forma, este ES é então representado como “um conjunto de conteúdos de natureza pulsional e de ordem inconsciente” ou ainda, “uma outra cena” (ROUDINESCO, 1998) tratando de um lugar no qual a consciência desconhece. Como então agir nesses lugares psicanalista/EScuta e tradutor/EScrita como se fosse algo consciente e racionalizado? Como ultrapassar, desrespeitando a obra, a criação daquele que fala na análise e daquele que cria a sua verdade através da palavra escrita? É o que se percebe quando conceitos como esses não são levados a sério, quiçá pensados ou trabalhados em seus fazeres.
Da mesma forma, e de maneira que auxilie muito nessa questão, é o conhecimento no mínimo prévio do autor a ser traduzido, pois como saber que palavra fica mais bem traduzida se não há ideia de sua criação? No fazer do psicanalista também tem de haver um tempo de escuta daquele sujeito, para sim poder fazer uma interpretação. A cada leitura nos deparamos com algo novo e, ao mesmo tempo, um novo sentido se faz. Igualmente, o quão importante é poder ler esses autores no original, pois ali está uma maior proximidade do que o autor tentou traduzir em palavras o seu próprio texto. Freud nos traz que a tradução tem algo de semelhante com o trabalho dos sonhos, pois está numa dimensão da ordem do inapreensível, do “impossível de ser dito e escrito na sua devida sonorização e na sua letra original” (BLEY, 2002, p. 109). Aliás, nem sempre há a possibilidade de encontrar a palavra exata que corresponda a tal questão, mesmo porque estaríamos dessa forma fechando o sentido e não dando a oportunidade de uma possível troca. Mas há a tentativa de aproximar o máximo possível até o sentido equivaler à palavra em questão para que erros absurdos não sejam cometidos, para que então possamos ler a obra do autor em sua magnitude e respeito. Sendo assim, a utilização de bons dicionários e conhecimento prévio daquele autor e compartilhamento de seus textos que será traduzido ocupa uma dimensão muito importante e imprescindível para aquele que se coloca no lugar de tradutor.
Uma outra contribuição interessante frente a essa trajetória, está em Perrone-Moisés (2007) tradutora de Roland Barthes, o qual diz que o tradutor-crítico ao aproximar o máximo possível uma palavra em sua tradução frente a uma maior equivalência, há a possibilidade de uma leitura posteriormente mais aguda do sentido em questão. Nesse mesmo sentido, para essa autora “Se traduzir bem é conhecer a tática do escritor, é preciso começar por situar o nível linguístico em que se concentra o grosso de suas manobras (e aí já é, para o tradutor, uma questão de estratégia)” (p. 69). Para o tradutor, “traduzir é entrar na dança” (p. 66), pois cada um que escreve tem suas formas e maneiras de escrita, sua própria coreografia, e a cada tradução, o tradutor tem de iniciar a transformar o texto novamente em uma bela dança, a vantagem é que a coreografia já foi delineada.
Considerações Finais
Se falo da letra e do ser, se distingo o outro do Outro, é porque Freud os indica a mim como os termos em que se referenciam os efeitos de resistência e transferência com que tenho tido que me haver, de maneira desigual, nos vinte anos em que venho exercendo esta prática – impossível, todos se comprazem em repetir com ele – da psicanálise. E é também porque preciso ajudar outros a não se perderem nela (Jacques Lacan – A instância da letra, p. 532).
A letra, a palavra, a escrita são consideradas como um registro, o testemunho da história do sujeito que ficará para posteridade. Testemunho da verdade do sujeito, de sua singularidade, do particular do seu discurso, dessa forma, tanto o psicanalista quanto o tradutor, fazem lugar de guardião da verdade do escriba, fazem testemunho da verdade do outro.
Frente a todas essas questões expostas e discutidas no texto, acredito que podemos nos considerar como sendo sempre tradutores. Tradutores de nossas próprias teorias e de nossos próprios fantasmas, tradução no sentido de alteridade, tradutores daquilo que nos concerne enquanto sujeitos desejantes.
Durante a produção deste texto, pude perceber o quão vasto é o estudo sobre a tradução no campo das Letras, diferentemente do meio psicanalítico, no qual essa ainda é uma área nova e com poucos textos publicados, apesar da magnitude do texto de A Interpretação dos Sonhos. Todavia, as questões e dúvidas perante a tradução em psicanálise não cessam de se fazerem presentes, levando-me cada vez mais à procura de respostas e de intensificação dos estudos e da pesquisa frente a esse tema. Formas diferentes de interpretar e de analisar o impossível desse fazer faz com que não cesse o desejo de continuar estudando e pesquisando essa temática.
Assim sendo, este estudo proporciona, além de uma maior abertura para a investigação do tema, uma maior fidedignidade à obra do autor e respeito pelo seu pensar criativo e por aquilo que seguimos como estudo. Fazer frente ao conceito criado nos proporciona uma maior escuta, além de um melhor direcionamento do tratamento e da cura daquele que escutamos.
Bibliografia
ARNAUD-BOUTRY, Véronique. Départ ou penser la séparacion. (p.13 – 20). In: SURGENCE – Mére, Pére et Manque. Revue de psychanalyse de la Libre Association Freudianne. Nº2, Automme 2008.
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[1] Monografia apresentada no Laboratório de Psicanálise da Associação Clínica Freudiana – 7ª edição (2014) em São Leopoldo/RS. Orientação: Sonia Maria Bley.
[2] Psicanalista membro fundadora do Salpêtrière Espaço Psicanalítico. E em 2014 laboratorista ACF e posteriormente, membro desta instituição até 2019.
[3] É consenso entre alguns psicanalistas tais como Charles Melman e Conceição Beltrão Fleig (tradutora de textos e livros deste mesmo autor), não traduzir a palavra rapport (em francês) para a palavra relação (em português). Lacan referencia a palavra rapport a uma questão de proporção, de uma proporção matemática e não de relação, que seria de ligação entre iguais. Ou seja, não há igualdade proporcional no gozo do ato sexual entre o homem e a mulher.





